CURA DOS DEZ LEPROSOS
Muitos são abençoados e logo se afastam de Deus.
Jesus tinha um ministério itinerante na Palestina, mas esta seria sua
última viagem (Lc.17.11). Estava indo a Jerusalém para ser
crucificado. No caminho, passando pela Galiléia e Samaria, entrou
numa aldeia (17.12). Era um pequeno povoado, tão insignificante que
nem o seu nome foi citado. Entretanto, Jesus entrou ali. Ele não
ficou fora, distante, indiferente. Ele se importava com aquele povo.
Havia ali vidas que Jesus queria alcançar. Da mesma forma, ele se
importa conosco, por menores que sejamos aos olhos humanos.
Na entrada da cidade, Cristo encontrou dez leprosos, os quais pararam
de longe. Por quê eles não se aproximaram? A lei determinava que o
leproso ficasse isolado da sociedade por causa do seu mal contagioso
(Num.5.2). Logo que a doença era diagnosticada, ele perdia a família,
os amigos, o emprego e os bens. Certamente, perdia também a auto-
estima e a alegria de viver. Seus novos amigos eram também doentes e
excluídos. Suas vidas estavam destruídas, perdidas, acabadas. Seus
sonhos tinham sido abandonados. Não possuíam qualquer perspectiva do
ponto de vista humano. Além se serem vítimas de uma doença
degenerativa, incurável e mortal, sofriam com a discriminação e o
preconceito.
Hoje, da mesma forma, muitas pessoas se encontram arrasadas, sem
Deus, sem paz, sem esperança. Precisam encontrar Jesus com urgência.
Ali estava um grupo de dez leprosos que encontraram Jesus. Aliás, foi
ele quem os encontrou. Eles jamais poderiam fazer uma caravana rumo a
Jerusalém em busca de Jesus. Seriam impedidos com violência pela
população. Entretanto, Cristo foi àquela cidade por causa deles. Ele
se importa com os enfermos, solitários, deprimidos, marginalizados,
com aqueles que a sociedade abandonou à própria sorte. Não sabemos os
nomes daqueles homens. Eram apenas leprosos, e ninguém queria saber
como se chamavam. Perderam a cidadania e a identidade.
Contudo, suas vidas mudaram completamente porque tiveram um encontro
com Jesus. Nenhum outro podia curá-los, mas Cristo podia. Ele á a
única esperança para o homem. O texto fala sobre os sacerdotes
(17.14), líderes religiosos da época. Eles estavam em plena
atividade, cumprindo rigorosamente seus rituais, mas não podiam curar
ninguém. Jesus cura, pois ele tem todo poder sobre todos os males.
O que as religiões não podem fazer, Cristo faz.
O texto mostra que aqueles leprosos sabiam quem era Jesus. As
notícias já tinham chegado àquele lugar. Entretanto, não basta ter
informações sobre Cristo. É preciso conhecê-lo. Agora, eles estavam
em sua presença, mas isto também, embora fosse maravilhoso, não era
suficiente. Eles criam que Jesus podia curá-los, mas a fé precisa ser
colocada em ação. Por isso clamaram: "Jesus, Mestre, tem misericórdia
de nós" (17.13). Todos precisam clamar ao Senhor. O soberbo não
clama. Seu orgulho o impede de se humilhar. Entretanto, precisamos
reconhecer que, sozinhos, não resolveremos os problemas que afligem
nossas almas. A oração é hoje a nossa forma de clamor. Não adianta
reclamar, murmurar, blasfemar. É preciso orar a respeito dos males
que nos sobrevêm. Eles clamaram a Jesus. Não adianta clamar à pessoa
errada, aos falsos deuses, aos líderes religiosos (17.14), ou aos
companheiros, também leprosos.
Jesus atendeu ao clamor daqueles homens (14.14). Ele não lhes deu as
costas, mas respondeu ao seu chamado. Cristo ouve as nossas orações e
nos responde.
Então, o Mestre lhes deu uma ordem: "Ide, e mostrai-vos ao sacerdote"
(17.14). O sacerdote era responsável pelo diagnóstivo. Era ele quem
podia confirmar a cura. Aqueles homens, ainda leprosos, precisavam
obedecer para serem abençoados, e não o contrário. Sua fé precisava
estar além das evidências visíveis. Ainda tinham todos os sintomas da
doença, mas deviam obedecer à voz do Mestre, sem questionamentos.
"E, indo eles, ficaram limpos" (17.15). A obediência demonstra a fé.
Não adianta crer e ficar parado. Em muitas situações, a ação deve
acompanhar a fé. Então, os dez leprosos foram curados. Jesus curou a
todos, sem perguntar sua nacionalidade, religião, etc. Ele não faz
acepção de pessoas. A cura acontece pela misericórdia divina e não
pelo merecimento do enfermo.
Vendo que estava limpo, um deles voltou para louvar (17.15),
agradecer (17.16) e adorar (17.16), prostrando-se perante Jesus. Ele
glorificava a Deus em alta voz. Louvando ao Pai, reconhecia que em
Jesus operava o poder de Deus. Seu louvor serviria de testemunho para
todos em seu caminho. Ao prostrar-se diante de Cristo, comportou-se
como um súdito diante do rei e como o adorador diante da divindade.
Estaria reconhecendo a divindade de Cristo? É provável. Aquele ato
demonstrava rendição, entrega, humildade, submissão.
Imediatamente, Jesus perguntou pelos outros nove que foram curados.
Não voltaram para agradecer. Cometeram o pecado da ingratidão. Jesus
valoriza o louvor, as ações de graças, a adoração, mas, acima de
tudo, ele queria ver aquelas pessoas perto dele, rendidas aos seus
pés.
Onde estavam os nove? Foram se mostrar ao sacerdote, receberam o
atestado de cura e correram para retomarem a normalidade de suas
vidas; talvez tenham ido à procura da família, do patrimônio, dos
amigos. Foram procurar um emprego, etc. Não tinham mais tempo para
Jesus. Talvez pensassem que não precisavam mais dele. Para eles,
Jesus era um abençoador, um curandeiro. Sabiam que ele era Mestre
(17.13), mas não estavam interessados em seus ensinamentos. Queriam
apenas a benção, o benefício físico, pessoal e imediato.
O ex-leproso que voltou demonstrou um nível maior de fé e
reconhecimento. Hoje, muitas pessoas são curadas, abençoadas, mas
poucas querem estar aos pés de Jesus. Poucos querem ter compromisso
com ele, servindo-o como Rei, como Deus e Senhor. Cheguemo-nos a
Deus, não apenas por necessidade, mas por gratidão.
Jesus disse àquele homem: "Levanta-te e vai; a tua fé te salvou".
Agora, ele podia ir e fazer tudo o que os outros fizeram. Podia
recuperar a normalidade de sua vida, mas de uma forma muito mais
gloriosa do que os nove companheiros. Ele podia testificar que foi,
não apenas curado, mas salvo. Podia dizer que viu Jesus, não de
longe, mas de perto. Seu testemunho seria completo e eficaz. Foi
transformado de corpo e alma. Recebeu benefícios temporais e também
eternos.
Aquele homem era samaritano. Pela atitude de surpresa de Jesus,
entendemos que havia judeus entre os dez leprosos, mas só um
estrangeiro voltou para agradecer.
Como é a nossa relação com Deus? Não sejamos como os nove. A maioria
nem sempre está certa. Nesse caso, precisamos ser a exceção. Além da
bênção, precisamos do abençoador. Onde estão os nove? O Senhor
procura aqueles que um dia foram abençoados e hoje estão distantes
dele. É tempo de voltar, prostrar aos pés do Mestre, adorando-o de
todo o coração.