–O testemunho de uma religiosa o despertou para uma visão positiva da
mortificação?
Sim. Trata-se da Madre Maria Teresa de Jesus
Eucarístico (1901-1972), fundadora do Instituto das Pequenas Missionárias
de Maria Imaculada. Ela foi influenciada pela teologia da infância espiritual, de Santa Teresa de Lisieux. Também a sua frágil saúde não lhe permitia praticar penitências
exageradas.
Madre Maria Teresa compreendeu que o verdadeiro sentido da mortificação não estava na prática de jejuns rigorosos, abstinências, cilícios, prostrações
e outras penitências corporais, mas no esforço para disciplinar a vontade
humana, tornando-a gradativamente capaz de aderir às exigências do
evangelho. Tanto que as Constituições do Instituto das Pequenas
Missionárias não prescrevem atos de mortificação, mas espírito de
mortificação.
Quando a Madre Teresa dá esse passo à frente, ela se preocupava com as
pessoas doentes, especialmente os tuberculosos, queria curar o corpo dessas
pessoas.
–A mortificação continua a existir hoje?
A mortificação continua existindo e desfrutando de amplo espaço no cotidiano de nosso povo. Evidentemente, não o termo, mas a vida disciplinada, que se constitui no núcleo, propriamente, da prática da mortificação. Uma vida regulada por dietas, exercícios físicos e até jejuns é assunto relevante para a cultura contemporânea.
A disciplina é um dado fundamental da existência humana. É um imperativo
antropológico, algo que não pode ser simplesmente eliminado, sem graves
prejuízos ao ser humano. Para se realizar objetivos, independentemente da
motivação originária, é indispensável o esforço pessoal, uma vida pautada
pela disciplina. A mortificação, em sentido amplo, é isso: luta de morte a
tudo aquilo que obstrui a obtenção de um ideal, que atrapalha a consecução
de uma meta. Por essa razão, a mortificação é parte integrante da educação
humana.
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