–Qual é a chave para uma nova interpretação da teologia da mortificação?
O termo “mortificação” tem sua origem em Colossenses 3, 5. Logo no início desta perícope (versículo 5), o autor conjuga o verbo “mortificar”, no modo imperativo aoristo, em grego “necrósate”, que significa literalmente “mortificai-vos”, ou seja, “dai morte”, “fazer morrer”. Só que este verbo está inserido no contexto
integral da perícope, que retoma o argumento principal da teologia paulina
de Romanos 6, 1-11, cujo tema é a morte do “homem velho”. Deste modo, o
verbo mortificar, interpretado à luz desta catequese batismal, assume a
significação de morte, não ao corpo, mas a uma existência pecaminosa.
Portanto, literalmente, o termo mortificação significa morte ao pecado, ao
“homem velho”. É um termo derivado da própria dinâmica batismal.
Porém, existe um detalhe de suma importância na dinâmica batismal: a graça
santificante cria o “homem novo”, mas seu desenvolvimento não ocorre
automaticamente, pois é imperativa a colaboração humana. Desse modo, como
bem alerta São Paulo, existe o risco real da graça ser desperdiçada (cf. 2
Cor 6, 1).
O que significa a mortificação: você colaborar com a graça para que o
“homem novo” cresça e o “homem velho” morra. Na realidade, a teologia da
mortificação é a teologia do batismo. Daí se resgata o verdadeiro sentido
de mortificação: não é morte ao corpo, mas morte ao “homem velho”. A nossa
vida é uma constante luta para que o “homem novo” cresça e o “homem velho”
morra.
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